Charutos e Cachaças – Charuto com Cachaça

Meus caros confrades, hoje vamos falar sobre harmonização de charutos com cachaça, mas iremos um pouco além de apenas escolher um charuto e uma cachaça, hoje iremos harmonizar charutos com cachaças tendo em vista os diferentes tipos de envelhecimento que sofrem, e os diferentes nuances que advém do contato da cachaça com barris feitos com madeiras diferentes.

A cachaça é um destilado que harmoniza muito bem com um charuto, devido a sua alta acidez e ao seu sabor pronunciado, e o fato de termos diferentes cachaças, envelhecidas em madeiras diferentes, abre ainda mais o leque de percepções sensoriais para estas combinações.
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As cachaças escolhidas para estas harmonizações foram:

1. Cachaça Germana – (Grad. 40,5%) – Produzida em Nova União-MG, é envelhecida por 2 anos em carvalho francês. Possui um sabor suave e um aroma amadeirado – deverá harmonizar muito bem com um charuto suave. Esta cachaça ficou em 4º lugar no Ranking da revista Playboy em 2011.

2. Cachaça Claudionor – (Grad 48%) – Produzida na cidade de Januária-MG, é armazenada em tonéis deUmburana. Cachaça forte, com bastante gosto de cana, mas que desce bem macio. Deve ser um par formidável com charutos mais encorpados. Esta cachaça ficou em 3º lugar no Ranking da revista Playboy em 2011.

3. Cachaça Boazinha – (Grad. 42%) – Produzida em Salinas-MG e envelhecida por 2 anos em tonéis feitos deBálsamo, o que lhe deve dar um aroma mais puxado a especiarias e anis. Esta cachaça ficou em 6º lugar no Ranking da Universidade da Cachaça.

Os Charutos escolhidos para esta harmonização foram.

1. Charuto Monte Pascoal Robusto – Charuto brasileiro feito predominantemente com tabaco Mata Fina, o que lhe confere um sabor suave e aromático, vamos conferir se o sabor não fica demasiado suave frente as cachaças.

2. Charuto Romeu e Julieta Short Churchill – Charuto cubano com tabaco equilibrado, nem tão forte e nem suave, mas devido a própria qualidade do tabaco, deve ser uma harmonização mais intensa, com sabores mais pronunciados.

Todos os confrades vão experimentar as três cachaças e irão degustar os dois charutos, anotando suas percepções e comentários, e talvez eleger um ou dois pares favoritos.
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Segue alguns Comentários e pares vencedores.

Confrade 1

Harmonização Favorita: Charuto Romeu e Julieta Short Churchill e Cachaça Germana – Para quem aprecia sabores sutis este é o par perfeito. Muito suave ao paladar e muito aromático, deixa a boca perfumada e desce muito macio.

2ª Harmonização escolhida – Charuto Monte Pascoal Robusto e Cachaça Boazinha – Este não é um segundo lugar mas sim uma outra harmonização que gostei bastante, o tabaco nacional é bem mais suave e ficou uma maravilha com a cachaça Boazinha – coloco esta harmonização como um empate técnico.

Confrade 2

Harmonização Favorita: Charuto Romeu e Julieta Short Churchill e Cachaça Claudionor – Sensacional a harmonização. A cachaça é um complemento perfeito para este charuto. O nariz da cachaça tem a cana bem presente e o sabor é bem macio. Achei que o Monte Pascoal sumiu um pouco nesta harmonização.

2ª Harmonização escolhida – Charuto Romeu e Julieta Short Churchill e Cachaça Germana – bastante interessante essa combinação também. Muito agradável.

Confrade 3

Harmonização Favorita: Charuto Romeu e Julieta Short Churchill com Cachaça Boazinha – Bem interessante essa harmonização. A cachaça é extremamente macia, com um perfume agradável e um sabor redondo. O sabor do tabaco cubano ficou muito evidente e a fumada foi muito prazerosa. Excelente.

2ª Harmonização escolhida – Charuto Monte Pascoal Robusto com Cachaça Boazinha – Gostei também desta harmonização. Bem doce a cachaça, sem ser enjoativa. O charuto Monte Pascoal é suave e não irrita a garganta e a cachaça deixou o paladar meio adocicado. Gostei bastante.

Confrade 4

Harmonização Favorita: Charuto Romeu e Julieta Short Churchill com Cachaça Claudionor – Forte e exuberante esta cachaça, com a cana bem presente. O charuto é equilibrado não amargou nem no fim. Nota 10 para esta harmonização.

2ª Harmonização escolhida: Charuto Romeu e Julieta Short Churchill com Cachaça Boazinha. Uma surpresa essa cachaça envelhecida no Bálsamo. Apesar de gostar mais de cachaças mais fortes, essa harmonização também agradou bastante.

Comentário Final

Todas as harmonizações parecem ter agradado bastante. As cachaças são todas excelentes e demonstraram ser complementos formidáveis tanto ao tabaco nacional Mata Fina quanto ao tabaco cubano. A cachaça que parece ter tido uma leve preferência foi a Cachaça Claudionor com o charuto cubano Romeu e Julieta então fica a dica para os aficionados que quiserem experimentar novos sabores.

Todas estas cachaças são facilmente encontradas em São Paulo, e para quem está longe da Capital, há a opção de comprá-las pela Internet.

Um forte abraço a todos e boas baforadas.

fonte e matéria: http://www.charutos.com

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A Guerra Jurídica da Havana – O Mito

A tradicional cachaça Havana, produzida no Norte de Minas Gerais há mais de 50 anos e considerada uma das melhores do Brasil, perdeu no mês de junho de 2001 o registro da marca no Inpi – Instituto Nacional da Propriedade Industrial – para a empresa cubana Havana Club, abrindo uma verdadeira guerra jurídica. Vencedora de concursos nacionais, a Havana começou a ser produzida em 1950 no município de Salinas.
Em 2004, os herdeiros conseguiram reaver o nome por meio de liminar, mas continuaram lutando para ter a marca em definitivo. A partir deste ano o produto passou a ser comercializado com os nomes de Havana e Anísio Santiago.

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A decisão do juiz da 8ª Vara Federal de Belo Horizonte, Renato Martins Prates, que restabeleceu o registro definitivo da Cachaça Havana à família Santiago foi considerada pelo sócio-diretor da Indústria e Comércio de Aguardente Menago Ltda e filho do criador da marca Anísio Santiago, Osvaldo Mendes Santiago, como um marco importante para a preservação da história e da tradição da cachaça artesanal produzida em Minas Gerais. Com a decisão, a empresa continuará a vender as duas marcas – Havana e Anísio Santiago – preservando os processos produtivos implantados pelo fundador.

De acordo com Santiago, o juiz julgou favorável o pedido de registro definitivo da marca que é produzida em Salinas, no Norte de Minas, no dia 2 de junho. A disputa dos herdeiros da cachaça com a Havana Club Holding S/A, do rum Havana Club, durou cerca de dez anos.
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“A justiça foi feita e agora poderemos comercializar a cachaça com o nome escolhido e registrado pelo meu pai, Anísio Santiago, em 1946. Acreditamos que a decisão foi fundamental para a preservação da cultura mineira em relação à produção de cachaça artesanal na região de Salinas e em Minas Gerais”, disse.

Na sentença, o juiz acatou o pedido da Havana mineira e anulou o ato administrativo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que em janeiro de 2001 indeferiu o registro da marca Havana para a cachaça mineira. O juiz também concedeu antecipação do uso do nome e deu prazo de 30 dias para o Inpi fazer o registro.

Fonte: Diário do Comércio

Fabricação da cachaça

A fabricação de cachaça ocorre seguindo basicamente os mesmos processos da fabricação do etanol combustível, com diferenças nas etapas a partir de destilação.

A cana colhida é levada para a moenda para a extração do caldo, que  é filtrado e vai para a dorna de decantação com o objetivo de separar impurezas, como bagacilhos, terra e areia. A diluição do caldo é o processo em que se prepara o caldo de cana para atingir o teor de sacarose entre 14 e 16 graus Brix. Isto acontece com a adição de água de boa qualidade na dorna de diluição. Ainda nesta etapa, pode-se adicionar ácido sulfúrico para evitar a contaminação do caldo por bactérias que podem produzir outros compostos prejudiciais à qualidade final da cachaça.

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(moagem da cana-de-açúcar )

Na fermentação utiliza-se a levedura Saccharomyces cerevisae, comumente encontrada em supermercados e padarias. Nas pequenas fábricas de cachaça, em que não existem geladeiras para guardar o fermento, é utilizado o “fermento caipira”, fabricado pelo próprio produtor com um pouco da garapa misturada com fubá. Pode-se, também, utilizar outros materiais, como farelo de arroz, por exemplo.

Independente do fermento utilizado, esse processo deve ser concluído em aproximadamente 24 horas. O método usual para verificar o fim da fermentação é quando o caldo começa a soltar borbulhas de forma uniforme e com cheiro agradável, com leve aroma de frutas. O fermento depositado no fundo da dorna costuma ser reutilizado na próxima fermentação.

O “vinho” é retirado por gravidade das dornas de fermentação e levado diretamente para a destilação nos alambiques. Na etapa de destilação, não é aproveitado o álcool inicial (cabeça) e final (calda). Utiliza-se para a comercialização somente o álcool do meio da destilação (corpo ou coração), 80% do material destilado.

Após a retirada do álcool, este é padronizado para que o teor alcoólico fique entre 38 e 54%. A partir disso, a cachaça já pode ser engarrafada ou ir para tonéis de madeira para envelhecimento. A cachaça envelhecida tem sabor e aroma mais agradáveis do que a cachaça recém destilada, o que lhe agrega maior valor.

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Autor(es): Rogério Haruo Sakai
Fontes consultadas:
MARTINELLI, D. P.; SPERS, E. E.; COSTA, A. F. Ypióca – introduzindo uma bebida genuinamente brasileira no mercado global. In: CONGRESSO ANUAL DO PENSA (PROGRAMA DE ESTUDOS DOS NEGÓCIOS DE SISTEMA INDUSTRIAL), 10., 2000, São Paulo. Anais … [São Paulo, 2000].
RODRIGUES, L. R.; OLIVEIRA, E. A. A. Q. de. Expansão da exportação de cachaça brasileira: uma nova oportunidade de negócios internacionais. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 11.; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 7., 2006, São José dos Campos. 
[Anais…]. [São José dos Campos: Univap, 2007].

Vale a pena misturar Ervas, Frutas, Folhas e Raízes com a Cachaça?

Já esta provado, cientificamente, que as ervas, frutas e raízes tem poderes medicinais. São utilizadas em diversos remédios da medicina tradicional  e eram conhecidas pelos antigos povos em tratamentos. Porém, não esta comprovada a sua eficácia se misturada à cachaça. Abaixo alguns exemplos:

Alecrim: tonifica o fígado, aumenta a produção de biles e combate a gota e reumatismo;

Ameixa: expectorante e laxante;

Boldo: indicado para o fígado;

Camomila: indicada para cólicas, azia, má-digestão, calmante, anti-inflamatório e antiespasmódico;

Capim: digestivo, calmante e diurético;

Catuaba: estimulante e usado no tratamento de impotência sexual;

Erva Doce: combate gases e cólicas;

Gengibre: anti-séptico, estimulante do sistema nervoso e digestivo;

Manjericão: diurético, anti-inflamatório e estimulante;

Pêssego: indicado para reumáticos e diabéticos; e

Salsa: indicado para o fígado, rim, estômago e hemorragia nasal.

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A cachaça por sua vez, é preparada minuciosamente para agradar a todos os sentidos do “cachacista” e a partir da edição de novos elementos, essas características são drasticamente alteradas.
A cor, sabor, cheiro, mudam  ou seja, acabam “estragando” a sua cachaça, que ficará sem qualidade de outrora.

A Gripe Espanhola de 1918 em São Paulo e a Pinga com Limão

Durante a epidemia de gripe espanhola de 1918 no município de São Paulo, E da impotência do saber médico em dialogar com a moléstia abriu-se a oportunidade para a utilização de práticas alternativas a chamada “medicina popular”.
As idéias e os remédios referentes às enfermidades confrontavam as premissas fundamentais da medicina oficial, essas eram veiculadas tanto por leigos quanto por pequena parte de doutores da comunidade médica. É bom ressaltar que as práticas tradicionais não deixaram de ser utilizadas devido ao avanço da bacteriologia.

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Club Atlético Paulistano em 1918: salões convertidos em enfermarias

O incremento da medicina popular durante o ano de 1918 ocorre pela inocuidade e inacessibilidade às propostas terapêuticas por parte da população. Sugestões preventivas e mais ainda as curativas foram solicitadas pela sociedade flagelada pela gripe, o desconhecimento da doença pela medicina científica fez com que, na falta de uma profilaxia determinada, vários médicos começassem a receitar medicamentos na maioria das vezes ineficazes para a população, no sentido de amenizar, aliviar o sofrimento desta.

A gripe espanhola tornou-se, dentro desse quadro uma doença incompreensível, tanto para os médicos, como para a sociedade. A população enferma reivindicava soluções para o mal que os acometia, e os aterrorizava.
Foi uma gripe tão agressiva que já não davam conta de fazer remédios. Só limão. Numa certa hora acabaram também os limões em São Paulo. Eu comia pouco, só tomava água com limão. (BOSI apud BERTOLLI FILHO: 1986, p. 159 )”

pinga com limão
“O botequim da rua do Tesouro e a Casa Pomona, no Largo da Sé, passam os dias repletos. Estranhando esse facto, procuramos saber a sua causa. Entramos no Pomona, dispostos a dar dois dedos de prosa com qualquer dos garçons. Não foi necessário. Um apreciador da branquinha, que entoava desafinadamente a “Pinga com Limão, Cura a urucubaca”, forneceu-nos indiretamente a explicação que buscávamos. Pinga com limão, si cura a urucubaca, também pode curar a influenza.3

Trechos do texto de : Leandro Carvalho Damacena Neto, Graduado em História pela Universidade Estadual de Goiás – UnUCSEH – Anápolis – GO.

 

A HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR E A CHEGADA NO BRASIL

ANTIGUIDADE

Foi na Nova Guiné que o homem teve o primeiro contato com a cana-de-açúcar. De lá, a planta foi para a Índia. No “Atharvaveda”, o livro dos Vedas, há um trecho curioso: “Esta planta brotou do mel; com mel a arrancamos; nasceu a doçura…..Eu te enlaço com uma grinalda de cana-de-açúcar, para que me não sejas esquiva, para que te enamores de mim, para que não me sejas infiel“. A palavra “açúcar” é derivado de “shakkar” ou açúcar em sânscrito, antiga língua da Índia.

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DESCOBERTA DO OCIDENTE

Desconhecida no Ocidente, a cana-de-açúcar foi observada por alguns generais de Alexandre, o Grande, em 327 a.C e mais tarde, no século XI, durante as Cruzadas. Os árabes introduziram seu cultivo no Egito no século X e pelo Mar Mediterrâneo, em Chipre, na Sicília e na Espanha. Credita-se aos egípcios o desenvolvimento do processo de clarificação do caldo da cana e um açúcar de alta qualidade para a época.

O açúcar era consumido por reis e nobres na Europa, que a adquiriam de mercadores monopolistas, que mantinham relações comerciais com o Oriente, a fonte de abastecimento do produto. Por ser fonte de energia para o organismo, os médicos forneciam açúcar em grãos para a recuperação ou alívio dos moribundos. No início do século XIV, há registros de comercialização de açúcar por quantias que hoje seriam equivalentes R$ 200,00/kg. Por isso, quantidades de açúcar eram registradas em testamento por reis e nobres.

NO RENASCIMENTO

A Europa rumava para uma nova fase histórica, o Renascimento, com a ascensão do comércio, entre outras atividades. O comércio era feito por vias marítimas, pois os senhores feudais cobravam altos tributos pelos comboios que passavam pelas suas terras ou, simplesmente, incentivavam o saque de mercadorias. Portugal, por sua posição geográfica, era passagem obrigatória para as naus carregadas de mercadorias. Isso estimulou a introdução da cana-de-açúcar na Ilha da Madeira (Portugal), que foi o laboratório para a cultura de cana e de produção de açúcar que mais tarde se expandiria com a descoberta da América.

CHEGADA AO BRASIL

escravos e cana
Cristóvão Colombo, genro de um grande produtor de açúcar na Ilha Madeira, introduziu o plantio da cana na América, em sua segunda viagem ao continente, em 1493, onde hoje é a República Dominicana. Quando os espanhóis descobriram o ouro e a prata das civilizações Azetca e Inca, no início do século XVI, o cultivo da cana e a produção de açúcar foram esquecidos.

fonte:  trecho do texto “Brasil, a doce terra”, de Fúlvio de Barros Pinheiro Machado

A Chegada da cachaça em Paraty e em Minas Gerais

(…)A busca por novas áreas para desenvolver a cultura da cana-de-açúcar foi um dos fatores que levaram a Coroa portuguesa a procurar um modelo de povoamento para o Brasil, que tinha, ao longo de toda a sua costa, as condições favoráveis para que a gramínea vicejasse: altas temperaturas, solos ricos e fartura de água. Regiões como São Vicente, Pernambuco e o Recôncavo Baiano são muito rapidamente ocupadas por engenhos e vastas plantações.

A expedição de Martim Afonso de Souza que aportou em 1531 no Brasil, como se sabe, trouxe mudas de cana e especialistas agrícolas. E, muito provavelmente, trouxe um dos primeiros alambiques do Novo Mundo, talvez um que já tivesse produzido aguardente de uva, mel ou cana nas Canárias, ponto de passagem da esquadra do fidalgo e provável origem das primeiras mudas de cana dessa primeira iniciativa organizada de produção canavieira em larga escala no Brasil.

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Numa das três regiões citadas acima – mais provavelmente São Vicente, se levarmos em conta o caminho feito pela cachaça nas décadas seguintes –, o processo da destilação que os ibéricos aprenderam com os árabes produziu, pela primeira vez, a aguardente de cana no Brasil.

A cachaça firmou-se muito rapidamente no gosto popular dos “negros da terra” (índios), africanos e portugueses de estirpe popular ou degredados que formaram os primeiros núcleos de povoamento nas terras brasileiras. Era barata, sendo feita com uma pequena parcela do caldo ou da rapadura derivados da cana farta nas grandes plantações, e de relativamente fácil produção. Enquanto os fidalgos se entregavam ao vinho e à bagaceira vindos do Reino, o populacho das três raças se consolava com a cachaça enquanto o Brasil ia se formando.(…)

Paraty

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(foto: Paraty – Centro)

Para dar conta desse consumo, as dezenas de engenhos em volta da baía de Todos os Santos e os de Pernambuco produziam a sua jeribita. Mas uma cidade se tornava sinônimo de cachaça: Paraty. Ali, os vicentinos que, segundo a hipótese mais provável, começaram a produção de cachaça em meados do século XVI nas terras do chamado Engenho dos Erasmos, fincaram no fim desse mesmo século ou no início do seguinte os primeiros alambiques que fizeram a glória da bebida, aperfeiçoando suas técnicas de produção. O porto do qual os navios partiam para a África e para o Reino e tropeiros e colonizadores se internavam na direção das Minas chegaria a ter, no século XVIII, em torno de cem fábricas de cachaça em funcionamento.

Em Paraty, negros chegavam da África e eram desembarcados e levados para a engorda no saco de Mamanguá, enquanto os navios eram carregados de cachaça – o pagamento preferido dos comerciantes da Costa da Mina e de Angola. Naquele momento, os africanos haviam se tornado também grandes consumidores de cachaça – o único destilado que conheciam –, o que muito preocupava a Coroa portuguesa.

Minas Gerais

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(foto: Diamantina )

A cachaça chegou às Minas com os tropeiros e bandeirantes, através do Caminho Velho, que já existia no fim do século XVII e ligava Paraty a Guaratinguetá e, daí, à região aurífera da Vila Rica. Também subiu o rio São Francisco, com os baianos que se internaram no sertão rosiano. Em 1715, o governador da província, Brás Baltazar da Silveira, já dá início à perseguição ao líquido brasileiro, proibindo a construção de novos alambiques, sob a alegação de que a bebida “inquieta os negros” e causa “dano irreparável ao Real Serviço e à Fazenda” – pura reserva de mercado para os vinhos e bagaceiras do Reino. A lei é tão inócua quanto as anteriores e outras que se sucederão ao longo do século para deter o avanço dos alambiques, que vão se tornando parte do equipamento básico das fazendas mineiras.

Enquanto as minas escasseavam em fins do século XVIII, os alambiques se multiplicavam para desgosto da Coroa. Durante a Inconfidência, ela será usada para brindes, por exemplo, no banquete oferecido pelo Padre Toledo em outubro de 1788 após o batizado dos filhos de Alvarenga Peixoto e Bárbara Helio-dora – considerada a primeira reunião inconfidente na Comarca do Rio das Mortes, hoje Tiradentes. (…)

fonte:
DIRLEY FERNANDES é jornalista, documentarista e editor de História Viva

 

Bebidas Falsificadas, muito cuidado pessoal!

Aconteceu em 2013 e continua acontecendo ate hoje!
Cinco grandes marcas de bebida, inclusive a famosa Havana, eram falsificadas e vendidas em várias cidades brasileiras, muitas vezes por preços mais altos do que os das originais.
A operação da polícia ficou conhecida como “Operação Aguardente”, e resultou na prisão de um homem de 50 anos, acusado de ser o maior falsificador de cachaças do estado.

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O acusado falsificava marcas como Havana, Canarinha, Nova Aliança, Anísio Santiago (Havana) e Indaiazinha. “São as marcas mais famosas no país, que têm preços altos”, afirma o delegado.
As cachaças eram vendidas por até, pasmem, R$1.000,00!
Nós do Espírito da Cachaça, repudiamos estas ações e adquirimos nossos produtos diretamente dos produtores, incentivando e fortalecendo o setor e Associações de Produtores de Cachaça.