A Gripe Espanhola de 1918 em São Paulo e a Pinga com Limão

Durante a epidemia de gripe espanhola de 1918 no município de São Paulo, E da impotência do saber médico em dialogar com a moléstia abriu-se a oportunidade para a utilização de práticas alternativas a chamada “medicina popular”.
As idéias e os remédios referentes às enfermidades confrontavam as premissas fundamentais da medicina oficial, essas eram veiculadas tanto por leigos quanto por pequena parte de doutores da comunidade médica. É bom ressaltar que as práticas tradicionais não deixaram de ser utilizadas devido ao avanço da bacteriologia.

gripe-espanhola
Club Atlético Paulistano em 1918: salões convertidos em enfermarias

O incremento da medicina popular durante o ano de 1918 ocorre pela inocuidade e inacessibilidade às propostas terapêuticas por parte da população. Sugestões preventivas e mais ainda as curativas foram solicitadas pela sociedade flagelada pela gripe, o desconhecimento da doença pela medicina científica fez com que, na falta de uma profilaxia determinada, vários médicos começassem a receitar medicamentos na maioria das vezes ineficazes para a população, no sentido de amenizar, aliviar o sofrimento desta.

A gripe espanhola tornou-se, dentro desse quadro uma doença incompreensível, tanto para os médicos, como para a sociedade. A população enferma reivindicava soluções para o mal que os acometia, e os aterrorizava.
Foi uma gripe tão agressiva que já não davam conta de fazer remédios. Só limão. Numa certa hora acabaram também os limões em São Paulo. Eu comia pouco, só tomava água com limão. (BOSI apud BERTOLLI FILHO: 1986, p. 159 )”

pinga com limão
“O botequim da rua do Tesouro e a Casa Pomona, no Largo da Sé, passam os dias repletos. Estranhando esse facto, procuramos saber a sua causa. Entramos no Pomona, dispostos a dar dois dedos de prosa com qualquer dos garçons. Não foi necessário. Um apreciador da branquinha, que entoava desafinadamente a “Pinga com Limão, Cura a urucubaca”, forneceu-nos indiretamente a explicação que buscávamos. Pinga com limão, si cura a urucubaca, também pode curar a influenza.3

Trechos do texto de : Leandro Carvalho Damacena Neto, Graduado em História pela Universidade Estadual de Goiás – UnUCSEH – Anápolis – GO.

 

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