A Guerra Jurídica da Havana – O Mito

A tradicional cachaça Havana, produzida no Norte de Minas Gerais há mais de 50 anos e considerada uma das melhores do Brasil, perdeu no mês de junho de 2001 o registro da marca no Inpi – Instituto Nacional da Propriedade Industrial – para a empresa cubana Havana Club, abrindo uma verdadeira guerra jurídica. Vencedora de concursos nacionais, a Havana começou a ser produzida em 1950 no município de Salinas.
Em 2004, os herdeiros conseguiram reaver o nome por meio de liminar, mas continuaram lutando para ter a marca em definitivo. A partir deste ano o produto passou a ser comercializado com os nomes de Havana e Anísio Santiago.

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A decisão do juiz da 8ª Vara Federal de Belo Horizonte, Renato Martins Prates, que restabeleceu o registro definitivo da Cachaça Havana à família Santiago foi considerada pelo sócio-diretor da Indústria e Comércio de Aguardente Menago Ltda e filho do criador da marca Anísio Santiago, Osvaldo Mendes Santiago, como um marco importante para a preservação da história e da tradição da cachaça artesanal produzida em Minas Gerais. Com a decisão, a empresa continuará a vender as duas marcas – Havana e Anísio Santiago – preservando os processos produtivos implantados pelo fundador.

De acordo com Santiago, o juiz julgou favorável o pedido de registro definitivo da marca que é produzida em Salinas, no Norte de Minas, no dia 2 de junho. A disputa dos herdeiros da cachaça com a Havana Club Holding S/A, do rum Havana Club, durou cerca de dez anos.
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“A justiça foi feita e agora poderemos comercializar a cachaça com o nome escolhido e registrado pelo meu pai, Anísio Santiago, em 1946. Acreditamos que a decisão foi fundamental para a preservação da cultura mineira em relação à produção de cachaça artesanal na região de Salinas e em Minas Gerais”, disse.

Na sentença, o juiz acatou o pedido da Havana mineira e anulou o ato administrativo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que em janeiro de 2001 indeferiu o registro da marca Havana para a cachaça mineira. O juiz também concedeu antecipação do uso do nome e deu prazo de 30 dias para o Inpi fazer o registro.

Fonte: Diário do Comércio

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Fabricação da cachaça

A fabricação de cachaça ocorre seguindo basicamente os mesmos processos da fabricação do etanol combustível, com diferenças nas etapas a partir de destilação.

A cana colhida é levada para a moenda para a extração do caldo, que  é filtrado e vai para a dorna de decantação com o objetivo de separar impurezas, como bagacilhos, terra e areia. A diluição do caldo é o processo em que se prepara o caldo de cana para atingir o teor de sacarose entre 14 e 16 graus Brix. Isto acontece com a adição de água de boa qualidade na dorna de diluição. Ainda nesta etapa, pode-se adicionar ácido sulfúrico para evitar a contaminação do caldo por bactérias que podem produzir outros compostos prejudiciais à qualidade final da cachaça.

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(moagem da cana-de-açúcar )

Na fermentação utiliza-se a levedura Saccharomyces cerevisae, comumente encontrada em supermercados e padarias. Nas pequenas fábricas de cachaça, em que não existem geladeiras para guardar o fermento, é utilizado o “fermento caipira”, fabricado pelo próprio produtor com um pouco da garapa misturada com fubá. Pode-se, também, utilizar outros materiais, como farelo de arroz, por exemplo.

Independente do fermento utilizado, esse processo deve ser concluído em aproximadamente 24 horas. O método usual para verificar o fim da fermentação é quando o caldo começa a soltar borbulhas de forma uniforme e com cheiro agradável, com leve aroma de frutas. O fermento depositado no fundo da dorna costuma ser reutilizado na próxima fermentação.

O “vinho” é retirado por gravidade das dornas de fermentação e levado diretamente para a destilação nos alambiques. Na etapa de destilação, não é aproveitado o álcool inicial (cabeça) e final (calda). Utiliza-se para a comercialização somente o álcool do meio da destilação (corpo ou coração), 80% do material destilado.

Após a retirada do álcool, este é padronizado para que o teor alcoólico fique entre 38 e 54%. A partir disso, a cachaça já pode ser engarrafada ou ir para tonéis de madeira para envelhecimento. A cachaça envelhecida tem sabor e aroma mais agradáveis do que a cachaça recém destilada, o que lhe agrega maior valor.

cachaca garrafa(engarrafamento de cachaças )

Autor(es): Rogério Haruo Sakai
Fontes consultadas:
MARTINELLI, D. P.; SPERS, E. E.; COSTA, A. F. Ypióca – introduzindo uma bebida genuinamente brasileira no mercado global. In: CONGRESSO ANUAL DO PENSA (PROGRAMA DE ESTUDOS DOS NEGÓCIOS DE SISTEMA INDUSTRIAL), 10., 2000, São Paulo. Anais … [São Paulo, 2000].
RODRIGUES, L. R.; OLIVEIRA, E. A. A. Q. de. Expansão da exportação de cachaça brasileira: uma nova oportunidade de negócios internacionais. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 11.; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 7., 2006, São José dos Campos. 
[Anais…]. [São José dos Campos: Univap, 2007].